

Um estudo divulgado nesta terça-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança revelou que 93,9% das pessoas mortas em ações policiais na Bahia são negras. O levantamento faz parte da pesquisa "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", que reúne dados referentes ao ano de 2025.
Segundo o estudo, o percentual é superior à participação da população negra no estado. De acordo com o IBGE, pretos e pardos representam 79,7% dos moradores da Bahia.
A pesquisa analisou informações de nove estados brasileiros: Bahia, Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Na Bahia, o levantamento aponta que houve registros de mortes provocadas por agentes de segurança pública em 346 dos 365 dias de 2025. O perfil das vítimas também se repete em outros estados analisados: homens negros, com até 29 anos, moradores de bairros periféricos e comunidades.
Outro dado apresentado pelo estudo mostra que pessoas negras têm quatro vezes mais chances de morrer em intervenções policiais do que pessoas brancas.
Para as pesquisadoras responsáveis pelo levantamento, os números refletem desigualdades históricas e sociais que influenciam diretamente o perfil das vítimas da violência policial. O estudo também destaca que a ausência de políticas públicas voltadas à inclusão da população negra após a abolição da escravidão contribuiu para a formação desse cenário, que, segundo a pesquisa, permanece presente nas instituições e na estrutura da sociedade brasileira.
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